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9 de setembro de 2012

O Lactário da Azinhaga dos Barros

Em redor da Quinta da Calçada



O edifício ainda hoje existe, nem sei se vive lá alguém. Está rodeado de prédios por todos os lados e não é fácil dar com ele. Presumo que ainda pertença à Associação Aboim Ascensão. Durante anos vivi ali a 50 metros e nunca vi qualquer movimento nele, nem ouvi conversas a seu respeito mas, na minha infância O Lactário (como nós chamávamos àquele local) funcionava. Nunca soube o que lá faziam mas, todos os anos havia uma distribuição de roupas, lápis, cadernos, etc e umas botas que nós miúdos odiávamos, eram feias como tudo e apenas boas para jogar à bola porque, quem as tivesse calçadas metia imenso respeito. A Azinhaga dos Barros passava mesmo pela frente do Lactário, naquele tempo (anos 60), havia várias quintas naquela zona, uma era a quinta do Lactário que ficava junto à quinta dos Barros (presumo que o nome é por causa dos barros que "alimentavam", a fábrica de tijolo e que de tanto o tirarem ficou uma lagoa enorme) mas não se sabia onde começava uma e acabava a outra. Outra coisa que me recordo daquela zona é que havia umas figueiras que davam uns figos fabulosos, grandes e doces.

O Lactário ou Refúgio Aboim Ascenção, fica entre a Rua Tomás da 
Fonseca e a Rua António Albino Machado em Lisboa, que era onde eu vivia. 
Foto encontrada em ruinarte.blogspot.pt 


Significado de Lactário no Dicionário

adj. Relativo ao leite.
S.m. Instituição beneficente, em que se aleitam crianças de poucos recursos.


O Lactário, visto da Segunda Circular em 2009, em foto feita com o google view. Clique.



Os Lactários


«Os lactários eram instituições de protecção à primeira infância, onde era dispensado o leite adequado ao bebé. Nos lactários ensinavam a fazer o desmame, a suprir a falta do leite materno e faziam o acompanhamento médico da criança, com a ajuda de assistentes sociais e visitadoras que iam ao domicílio verificar a vida e o desenvolvimento de cada criança. A expressão lactário foi adoptada para traduzir o termo francês creche. O seu principal fim era combater a mortalidade infantil provocada por enterites na primeira infância. O lactário deveria estar junto das maternidades, das creches, dos hospitais, dos dispensários infantis, dos centros de assistência social materno-infantis, de forma a assegurar uma alimentação adequada às mães que amamentavam e à primeira infância. Eram entendidos como escolas de mães ou cantinas maternas.

Texto da foto: Associação de Beneficência e Instrução do Campo Grande - 
Beneficência Aboim Ascensão, 1961 (lactário). 1961. Artur Goulart.

Os lactários em Portugal equivalem às gotas-de-leite francesas. Estas foram concebidas pelo professor francês Pierre Budin, da Faculdade de Medicina de Paris, em 1892. Fundou esse professor no Hospital da Caridade em Paris, uma consulta para recém-nascidos, que funcionava como uma verdadeira escola de mães, que vigiava, dirigia e ajudava as mesmas. Foi o Dr. Dufour de Fécamp que criou, em 1894, as gotas-de-leite. Em Portugal a primeira consulta de crianças foi em 1893, no Dispensário de Alcântara, devendo-se à rainha D. Amélia e ao médico D. António de Lancastre. 

 Prédio do Lactário na Azinhaga dos Barros. 1961. Artur Goulart. 

A consulta era dada pelo Dr. Silva Carvalho. Em 1900 o Dr. Alfredo da Costa nas suas lições na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, propôs a instituição de consultas para recém-nascidos semelhantes às francesas. O primeiro lactário foi criado em 1901, no Largo do Museu da Artilharia, pela Associação Protectora da Primeira Infância criada pelo benfeitor Rodrigo António Aboim de Ascensão. Este lactário tinha uma vacaria em anexo. O coronel Rodrigo Aboim Ascensão foi ajudado pelos sócios e pela própria rainha D. Amélia. De Norte a Sul do país foram fundados lactários por particulares, pelo Estado, pelas Juntas Gerais de Distrito, pelas Juntas de Província, pelas Câmaras Municipais, pelas Misericórdias, por industriais, etc., mas mesmo assim eram insuficientes.» 
(In, revelarlx.cm-lisboa.pt)

Azinhaga dos Barros e prédio do Lactário. 1961. Artur Goulart.

Construção da Segunda Circular; à direita na zona das árvores, passava a Azinhaga dos Barros, vendo-se O Lactário. À esquerda, onde estão as árvores era onde ficava o Bairro da Quinta da Calçada. Ao centro vê-se a chaminé da fábrica de tijolo e o Hospital de Santa Maria ao fundo. 1961. Artur Goulart. 

A foto diz: Entrada para a Beneficência Aboim Ascensão na Azinhaga dos Barros 
mas eu é que não tenho qualquer memória desta entrada. 1961. Artur Goulart.



(Fotos de Artur Goulart e Arquivo Fotográfico da CML)


8 de setembro de 2012

A Segunda Circular ou "Estrada da Morte"

Em redor da Quinta da Calçada


Fotos da construção da Segunda Circular

Na foto, vê-se a curva da rotunda e creio que havia ainda outra
rotunda perto do Estádio da Luz. 1961/62. Foto Artur Goulart.

Não sei quando começou a construção da segunda circular, mas deve ter sido por volta de 1960 (ou talvez fosse o fim das obras), que foi o ano em que entrei para a escola e tenho uma vagas recordações daquela zona em obras. Entre a Azinhaga dos Barros e a Azinhaga das Galhardas, havia uma rotunda; recordo-me bem dela porque andava na escola de Telheiras que se vê na foto e a GNR, costumava fazer lá exercícios com cães e tudo e um deles quase me mordeu (um cão, não um GNR que também mordiam) quando quis fazer-lhe uma festa. Recordo-me de andar nos esgotos que estavam "novinhos", com outros miúdos, naqueles tempos explorávamos tudo. A Segunda Circular, chegou a ser conhecida pela "Estrada da Morte", porque a certa altura, parecia que morria lá alguém todas as semanas. Recordo também uma Guerra de pedradas entre os miúdos do Bairro da Quinta da Calçada e os de Telheiras, com a Segunda Circular a dividir e que fez com que o transito parasse, até as pedradas acabarem ou vir a policia, já não me recordo bem.

Azinhaga das Galhardas do lado de Telheiras. 1961. Foto Artur Goulart. 

 Trabalhadores das obras entre o CIF e o Hipódromo, ao fundo vê-se 
o Colégio de São Vicente de Paula. 1961/62. Foto Artur Goulart. 

 Perto da Azinhaga das Galhardas do lado de Telheiras. 1961. Foto Artur Goulart. 

 Segunda Circular junto ao Campo Grande antes do viaduto. 1962. Foto Artur Goulart. 

 Construção da Segunda Circular junto ao Hipódromo e 
ao fundo as Universidades. 1962. Foto Artur Goulart. 

Construção da Segunda Circular com a Escola de Telheiras ao fundo. 1962. Foto Artur Goulart. 

 Aviso da construção do viaduto da estrada da Luz. Naquela 
altura os eléctricos iam até Carnide. 1962. Foto Artur Goulart.

 Escola de Telheiras ao fundo, vendo-se uma parte das hortas 
e o muro da Azinhaga das Galhardas. 1962. Foto Artur Goulart.

 Azinhaga dos Ameixiais ou Azinhaga do Hipódromo. 1962. Foto Artur Goulart. 

 O edifício branco era as instalações do campo de futebol do CIF e 
mais ao fundo vê-se o estádio de Alvalade. 1961. Foto Artur Goulart. 

 Construção da Segunda Circular no fim do Campo Grande junto ao 
restaurante Churrasqueira, onde está o eléctrico. 1961/62. Foto Artur Goulart. 

 Construção do viaduto da estrada da Luz. 1962. Foto Artur Goulart. 

Perto da Escola de Telheiras com o hospital ao fundo, ainda na 
fase inicial da Segunda Circular. 1960/61. Foto Artur Goulart. 

 Construção da Segunda Circular junto ao Hipódromo e 
ao fundo as Universidades. 1962. Foto Artur Goulart. 

 Subida para a Azinhaga dos Barros. 1961. Foto Artur Goulart. 

 Aviso da construção do viaduto da estrada da Luz na segunda circular. 1962. Foto Artur Goulart.

Construção da segunda circular, vendo-se o Hospital de Santa Maria ao fundo e o Lactário à direita, mais tarde estes terrenos foram ocupados em 1976, onde depois se construiu depois o Bairro Fonsecas/Calçada. 1961. Foto Artur Goulart.

Construção da segunda circular. As árvores ao fundo escondiam o Bairro da Quinta da Calçada, mais tarde estes terrenos foram ocupados em 1976, onde se construiu depois o Bairro Fonsecas/Calçada. 1961. Foto Artur Goulart.


(Fotos Artur Goulart e Arquivo Fotográfico da CML)